Um a cada cinco diabéticos não sabe o tipo da própria doença, mostra nova pesquisa

Por Gabriel Alves

Uma nova pesquisa do Ibope, divulgada aqui em primeira mão pelo Cadê a Cura?, mostra que 18% dos diabéticos não sabem o tipo que têm. No total, são 13 milhões de afetados no país.

São dois os principais tipos. O tipo 1, também conhecido como juvenil, é aquele diabetes em que a produção de insulina está prejudicada pela morte das células do pâncreas que a sintetizam.

O segundo é aquele no qual a resposta do organismo à insulina vai perdendo eficácia. O hormônio é responsável por fazer as células captarem o açúcar do sangue (é hipoglicemiante). É necessário um fino ajuste no nível de glicose para que o organismo possa, ao mesmo tempo, armazenar essa fonte de energia e não sofra com seus excessos –como dano em nervos, impotência e aumento de chance de acidentes vasculares como infarto e AVC.

Uma explicação possível para esse alto nível de 18% de desconhecimento seria a de que a maior parte dessas pessoas tem diabetes tipo 2. Isso porque quando se tem diabetes juvenil a pessoa já é acostumada com injeções de insulina e também a explicar para todo mundo por que o diabetes dela não é causado pela obesidade ou pelos maus hábitos de vida.

DOENÇAS

A nova pesquisa do Ibope entrevistou, via internet, 600 pessoas de seis Estados do país. Metade delas era de São Paulo e tinham, na média, 37 anos. Outras 145 pessoas, diabéticas, também participaram (média de 41 anos e notadamente de classes sociais mais elevadas e escolarizadas).

Uma das questões pedia para os participantes compararem o diabetes a outras doenças, como obesidade. Veja os resultados:

O perfil geral é o mesmo, mas é possível notar um pouco mais de preocupação dos diabéticos em relação a outras doenças (talvez porque tenham conseguido controlar adequadamente o diabetes com drogas e dieta).

MEDO

A pesquisa também avaliou o conhecimento das consequências do diabetes entre as duas amostras. Notadamente os diabéticos tendem a saber mais que a doença pode acarretar impotência sexual, perda de memória e problemas renais.

A consequência mais “famosa” do diabetes são as amputações de membros, conhecidas igualmente por 86% das duas amostras. E também são as amputações as líderes em uma escala de preocupação de quem tem diabetes, junto com o medo de ficar cego:

 

O pouco medo da doença cardíaca preocupa. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o risco de morrer por algum problema cardiovascular é quatro vezes maior em quem tem diabetes tipo 2. O diabetes também é a maior causa global de insuficiência renal do mundo –de 20% a 40% dos diabéticos a desenvolvem.

A pesquisa do Ibope integra as ações de uma campanha que tem início agora, no dia 30, que tem por objetivo específico de conscientizar sobre o impacto do diabetes nos rins e no coração. O pontapé inicial será na estação Clínicas do metrô, em São Paulo, nos dias 30 e 31, das 7h às 16h. Depois a campanha ruma para Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A organização promete tentar chocar as pessoas com um painel que vai mostrar em tempo real as mortes em consequência do diabetes a partir do início da campanha.


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