Leite faz bem, e provavelmente é por causa dele que você está aqui

Por Gabriel Alves

Ao ingerir leite, pessoas com intolerância à lactose ficam realmente mal. Há pouca ou nenhuma margem para sensações sugestionadas. Muitas dessas pessoas lamentam o fato de não poderem comer nem uma barrinha de chocolate sem consequências intestinais desastrosas.

Isto posto, gostaria reforçar a mensagem do título deste texto de que provavelmente é por causa do leite que você está aqui. Não estou falando do leite materno (que é importantíssimo), mas do leite de vaca de outros bichos como cabras e búfalas, consumidos após o desmame humano.

O argumento que trago é principalmente evolutivo, ou seja, contém porções igualmente importantes de biologia e de história.

O desenvolvimento da pecuária leiteira provavelmente teve início há cerca de 7.500 anos na Europa. Como nem sempre havia carne, aqueles humanos que conseguiam se nutrir adequadamente a partir do leite de origem animal (e digerir o açúcar conhecido como lactose) tinham grande vantagem perante os outros, conseguindo viver e se reproduzir mais, espalhando esses genes responsáveis por essa “tolerância” ao alimento.

Quem não tinha esse arsenal genético provavelmente sofria como os intolerantes de hoje em dia sofrem, muitas vezes ficando sem uma nutrição adequada.

Você pode ler uma excelente reportagem a respeito de características selecionadas recentemente pela evolução publicada nesta quinta (13) pela Folha.

DETRATORES

Um dos fenômenos sociais recentes é o surgimento de pessoas que simplesmente são contra o leite. Os detratores estão em todo lugar. Difícil entender como, de repente, a nutritiva bebida ganhou contornos demoníacos.

Um dos sintomas disso pode ser observado em um post recente aqui no Cadê a Cura? sobre nutrição de crianças (Pouco leite, muito sal: estudo mostra problemático cenário nutricional das crianças em São Paulo). Sobrou baboseira nos comentários.

O que eu acho curioso é o verniz “científico” que querem dar à tese de que leite faz mal ou que não vale a pena ser ingerido (por quem não tem alergia ou intolerância).

Claro que legumes e verduras são importantes fontes de outras vitaminas, como A, K e as do complexo B. E devem estar na dieta.

Mas o leite ainda é um dos alimentos que mais contém cálcio, seja por grama consumido ou por real gasto. São necessárias várias porções de vegetais para conseguir o cálcio de apenas um copo de leite –e quase ninguém fica o dia inteiro mastigando brócolis, couve e espinafre, os melhores substitutos.

Infelizmente existem alguns nutricionistas que abandonaram o embasamento científico para sua prática profissional –parece que até quando se trata de saúde o cliente sempre tem que ter razão. Prova disso é que o Conselho Regional de Nutrição da 3ª região (SP e MS) em 2012 teve de afirmar que “a recomendação indiscriminada para restrição ao consumo de leite e derivados não encontra atualmente respaldo científico com nível de evidência convincente e está em desacordo com o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar”.

As desventuras nutricionais propostas por pacientes e profissionais que simplesmente são contra o leite (e o taxam como inimigo da saúde) não fazem sentido fora de um arcabouço dogmático limitante.

O estudo que motivou a reportagem da Folha é só mais uma na pilha de evidências favoráveis ao leite acumuladas pela ciência e pela história. Negar a teoria da evolução e as tabelas nutricionais em pleno século 21 não parece ser a atitude mais inteligente.


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