Complementar ou alternativo? Você trocaria um quimioterápico por dez sessões de meditação?

Por Gabriel Alves

Será que uma pessoa com câncer trocaria o tratamento com um quimioterápico de última geração por dez sessões de meditação com um renomadíssimo mestre oriental?

O exemplo extremo serve para mostrar porque o termo “terapias alternativas” não é bom. É pouco provável que, ao escolher a meditação, haja remissão da doença. Em vez disso, se ela for conciliada com o tratamento respaldado pela ciência, há chance de haver algum efeito positivo.

Por isso, usar “terapias complementares” faz sentido –elas buscam preencher algumas lacunas deixadas pelas terapias convencionais.

Uma dessas lacunas talvez seja a falta de contato humano. Passar com um homeopata ou terapeuta holístico que ouça atentamente tudo o que o doente tem a dizer pode aliviar o coração sem o auxílio de um remédio “de verdade”.

Desse modo, apesar de não existirem evidências científicas sólidas de que homeopatia seja melhor do que placebo para qualquer condição que seja, homeopatas podem ser bons médicos, na medida em que eles conseguem aliviar o sofrimento humano.

Mas pode haver muito mais do que um ombro amigo do outro lado da bancada. Acupunturistas têm obtido sucesso em provar cientificamente que a prática alivia vários tipos de dor e algumas outras condições como a rinite alérgica. Algum sucesso também vem sendo obtido pela aromaterapia e pela meditação.

O problema dessas terapias é elas serem tão boas em aliviar dores, angústias e outros sintomas que as pessoas acabem não aderindo à modalidade que realmente tem alguma chance de atacar a raiz do problema. (saiba um pouco mais sobre mindfulness, na matéria de hoje da Folha)

Tomado esse cuidado, em outros casos elas podem assumir um papel crucial para condições que ou não tem remédio ou nas quais o remédio muitas vezes não basta.

É o caso de crises de ansiedade, agressividade, vício em drogas, depressão e síndrome de burnout (esgotamento), condições para as quais técnicas de meditação vêm sendo empregadas.

Para o cientista sério (que quer testar –e não provar– algo), é difícil determinar o que é efeito da meditação e o que é efeito placebo (gerado pela atenção do instrutor e pela interação com um grupo, por exemplo). Até lá, procure um bom terapeuta. Ou dois.


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