Criopreservação de humanos ainda é ambição bem distante

Por Gabriel Alves

Alguns entusiastas podem olhar para o novo método de descongelamento proposto por John Bischof e colegas em artigo na “Science Translational Medicine” e pensar que foi um importante passo rumo às grandes ambições da criogenia humana. Talvez tenha mesmo sido, mas a ciência ainda está bem distante de conseguir congelar e descongelar um ser humano com sucesso.

O plano seria criopreservar o corpo de quem acabou de morrer, para, quem sabe, em um futuro distante, curar doenças hoje letais e até mesmo conseguir fazer um download das memórias e da personalidade do indivíduo para um supercomputador ou avatar robótico.

Apesar de bastante controversa, essa possibilidade atrai alguns entusiastas e endinheirados que pagam dezenas de milhares de dólares para terem seus corpos armazenados a temperaturas superfrias (perto de -200°C) por tempo indeterminado.

Para a maioria dos cientistas, porém, a possibilidade de acordar depois de décadas ou séculos de criopreservação só tem espaço na ficção.

E um dos motivos é o que se entende sobre a consciência –provavelmente formada não só pelo arranjo físico de neurônios, mas também pela informação que eles conduzem e transmitem. Ela dificilmente sairia ilesa dessa animação suspensa.

A técnica de preservação funciona bem com células e embriões, mas para cada nível de complexidade subsequente –tecido, órgão ou sistema–, as informações e os desafios crescem de forma exponencial.

O método de descongelamento por radiofrequência (conheça abaixo) pode ser crucial no avanço do nível celular para o de tecidos e órgãos (onde miram os autores do estudo). Mas, com tudo o que se sabe até agora, o melhor conselho ainda é matricular-se em uma academia, evitar excessos e ir ao médico regularmente.

 


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