Grupo de pesquisa do A.C.Camargo vai tentar desvendar segredos da imunoterapia anticâncer

Por Gabriel Alves

A imunoterapia foi a grande vedete dos maiores congressos de oncologia nos últimos anos, mas, apesar do conhecimento até então acumulado, médicos e cientistas especulam o que ainda pode ser descoberto.

É o caso do biomédico americano Kenneth Gollob, recém-contratado do A.C.Camargo Cancer Center, hospital oncológico de São Paulo, para comandar um grupo que vai tentar descobrir o que não está nos manuais médicos ou nos artigos científicos patrocinados por farmacêuticas.

Um dos projetos nos quais o grupo está apostando é entender quais pacientes são mais susceptíveis aos efeitos colaterais do tratamento com imunoterápicos.

Os imunoterápicos foram desenhados para “remover as travas” do sistema imunológico, amplificando a resposta anticâncer do organismo.

Muitas vezes, explica Gollob, as pessoas desenvolvem um perfil de resposta semelhante ao de doenças autoimunes, difíceis de detectar.

Entre os órgãos que mais sofrem estão os rins, que ficam sobrecarregados. O risco de um paciente adquirir uma insuficiência renal crônica geralmente não compensa a tentativa ultramoderna de tratamento.

O plano, então, é tentar mapear parâmetros do sistema imunológico e, a partir deles, tentar prever quem tem maior probabilidade de desenvolver o problema.

Na prática, a pesquisa vai envolver inicialmente o acompanhamento de pacientes que receberão o tratamento com imunoterápicos para a identificação desses fatores em um tipo de câncer de pulmão (o de células não pequenas) e no melanoma.

Uma segunda etapa é saber exatamente quais são os “parafusos imunológicos” a serem apertados ou afrouxados com o uso de drogas para que a resposta à doença seja a melhor possível.

“Entre as possibilidades para a falta de resposta adequada estão um número insuficiente de células para atacar o tumor ou a resposta estar inibida, o que chamamos de supressão ativa. Faremos experimentos para diferenciar uma situação da outra”, diz Gollob.

A ideia é aproveitar o fluxo de pacientes do hospital para reunir dados e material para executar as pesquisas. A instituição tem um banco com quase 60 mil amostras de tumores –prato cheio para cientistas da área.

 


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