‘Hoje, HIV é problema mais social do que de saúde’, diz youtuber que se descobriu soropositivo aos 20

Por Gabriel Alves

O youtuber Gabriel Comicholi resolveu contar para o mundo que tem HIV. De uma vez, assim que soube. Isso faz um ano e meio.

Em abril de 2016 ele estreava seu “HDiário”, onde relata e mostra como são os primeiros momentos de quem, de repente, se descobre com o vírus. No caso dele, o achado veio em um exame “de rotina” por conta de uma suspeita de caxumba.

As histórias passam por vários pontos, como o desastroso primeiro encontro com um infectologista (ele trocou de médico) e os efeitos dos remédios antivirais, como “grogueza”, moleza, calor e tontura (que somem depois de um tempo –hoje ele diz não sentir efeito colateral algum). 

Em uma avaliação sucinta dessa breve trajetória, Gabriel conta ao blog Cadê a Cura? que todas essas mudanças em sua vida o deixaram mais humano e o fizeram ter muito mais cuidado com a saúde.

Hoje, aos 22, ele se sente satisfeito por agir como uma espécie de “ponte para a informação”, atingindo pessoas que dificilmente receberiam a mensagem por meios tradicionais.

“O número de jovens em risco é grande e eles consomem mídia de maneira muito diferente hoje em dia. Não adianta fazer campanha para jovens em um canal de TV se o público-alvo dele são mulheres entre 54 e 70 anos”, diz.

Uma tecla em que Gabriel bate frequentemente é o uso de camisinha. “Todo mundo sabe que existe, mas poucos sabem todas as suas funções. O que mais aparece é o uso dela para prevenir gravidez precoce. Aí, um mês antes do Carnaval, aparece uma campanha. Mas ninguém consegue assimilar da forma como é colocado”.

Quanto à origem de sua própria infecção, o youtuber diz até tê-la investigado, mas não se recorda de nenhum possível deslize. “Nunca tive relação sem camisinha”. O que importa para ele, no entanto, é o que ele pode fazer para si mesmo e para os outros a partir de agora.

ORGÂNICA

Ele defende que no tema HIV/Aids haja uma comunicação “mais orgânica” e eficaz. “A informação que chega para mim não é a mesma que chega para uma travesti negra de periferia.”

Em sua avaliação, a principal questão é que o HIV e a Aids hoje se tornaram um “problema mais social do que físico, de saúde”.  “Não existe mais uma ‘cara’ da doença, o tratamento está avançado. O que precisamos é realmente lutar contra o preconceito e a falta de informação que faz os números ainda hoje crescerem. Não é algo que se possa jogar para debaixo do tapete. Precisamos curar o preconceito e quebrar o estigma para falarmos mais sobre isso”.

Nesta sexta, 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, Gabriel participou de uma ação da marca de maquiagens MAC, que reverte toda a renda da linha de batons Viva Glam para instituições que atuam na causa. A arrecadação mundial anual fica na casa das centenas de milhões de dólares, segundo a empresa.

Veja abaixo dois vídeos de Gabriel Comicholi: a primeira entrada em seu “HDiário” e o vídeo publicado nesta sexta (1º).

 

 


Gostou? Compartilhe. Não gostou? Quer desabafar? Elogiar? Tem algo novo para me contar? Comente abaixo ou escreva para cadeacura (arroba) gmail (ponto) com.

Clique aqui e receba todas as novidades do blog

Você pode acessar (e divulgar) o blog Cadê a Cura? pelo endereço folha.com/cadeacura

Leia posts recentes:

Contra Aedes, dengue e zika, Juiz de Fora inicia liberação de mosquitos transgênicos

Pés gigantes em SP alertam sobre doença genética rara PAF, a polineuropatia amiloidótica familiar

Assembleia Estadual de SP deve iniciar nas próximas semanas a CPI da fosfoetanolamina