Tomar cálcio e vitamina D não ajuda a evitar fraturas, diz estudo com mais de 50 mil pacientes

Por Gabriel Alves

Médicos e cientistas tinham arrumado um ótimo raciocínio para explicar como a suplementação com cálcio e vitamina D poderia ajudar a prevenir fraturas.

A lógica, resumidamente, seria a seguinte:

1) Por uma série de fatores, como falta de atividade muscular (exercícios) ou carência hormonal, o organismo para de construir osso. Mais precisamente esse tecido se desmineraliza, perdendo cálcio, a matéria-prima;

2) Com baixa densidade mineral –que pode ser mensurada em exames de imagem–, o osso se torna frágil, fácil de quebrar após quedas, por exemplo;

3) Uma solução possível, portanto, seria devolver a matéria-prima F–o cálcio– e arrumar um jeito de fomentar a fixação dele no osso;

4) Aí surge a vitamina D, um hormônio naturalmente produzido durante a exposição solar e que, ao que tudo indica, seria um fator importante para a mineralização óssea.

O problema é que, na prática, provavelmente não adianta incentivar o uso de cálcio e de vitamina D para prevenir fraturas. Um estudo publicado na revista médica “Jama”, feito com dados de vários outros –uma meta-análise–, mostrou que não há evidência científica suficiente para apostar nesse caminho.

Um dos critérios fundamentais para que os estudos entrassem na conta é a presença de grupos controles, que foram comparados aos grupos tratados para averiguar o efeito das doses. Ao todo, dados de 33 trabalhos foram compilados, totalizando 51.145 participantes.

A conclusão:  nenhum suplemento (cálcio, vitamina D ou a combinação dos dois) está associado a um menor risco de fraturas, independentemente da dose, do sexo do paciente, do histórico de fraturas, da ingestão de cálcio na dieta ou na concentração sanguínea de vitamina D.

MORTALIDADE

A substância, nos últimos anos, tem ganhado espaço graças, especialmente, à medicina laboratorial. Dificilmente alguém descobre que possui baixos índices de vitamina D sem um exame.

Qual seria a faixa ideal de concentração de vitamina D sanguínea é algo que ainda, vez ou outra, entra em discussão –a pessoa pode sofrer por anos dessa “deficiência” e ter uma saúde normal, mas há tentativas interessantes de se estabelecer parâmetros.

Um estudo alemão de 2012 (publicado no periódico “The American Journal of Clinical Nutrition”) analisou 5.562 mortes em meio a dados de cerca de 60 mil pacientes com o objetivo de investigar se a falta de vitamina D pode matar.

A conclusão é afirmativa: existe, sim, a chance de a morte chegar mais rápido para quem tem índices baixos. O nível sanguíneo de 25(OH)D, metabólito ativo da vitamina D comumente dosado, que garante proteção máxima seria alguma coisa entre 75 nmol/L e 87,5 nmol/L (metade das pessoas investigadas tinham concentração menor que 27,5 nmol/L).

Na prática, ponto para a suplementação com a vitamina. Algumas explicações possíveis para tamanha importância são os papéis desempenhados pelo hormônio no cérebro, prevenindo distúrbios cognitivos, e também na manutenção do sistema imunológico.

Quanto às fraturas, pelo jeito, o negócio é praticar atividades físicas adequadas para cada faixa etária –com cuidado.


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